200 ANOS DA CONSTRUÇÃO DE UMA NAÇÃO.
“Independência ou Morte”! Um grito
num brado retumbante ecoou as margens de um riacho há 200 anos atrás. Marco do
inicio da construção de uma nação.
A
Independência do Brasil foi um processo iniciado
a partir da Revolução Liberal do Porto, que levou ao rompimento entre Brasil e
Portugal, no dia 7 de setembro de 1822.
A independência do Brasil aconteceu em 1822, tendo como grande
marco o grito da independência que foi realizado por Pedro de Alcântara (D.
Pedro I durante o Primeiro Reinado), às margens do Rio Ipiranga. Com a
independência do Brasil declarada, o país transformou-se em uma monarquia com a
coroação de D. Pedro
I.
A partir dessa data até os dias de hoje, nossa nação passou
por diversas transformações. Do período imperial sob o jugo português à nossa
atual democracia republicana tivemos diversos Brasis.
As Cortes portuguesas (instituição surgida com a
Revolução do Porto) tomaram algumas medidas que foram bastante impopulares
aqui, como a exigência de transferência das principais instituições criadas
durante o Período Joanino para Portugal, o envio de mais tropas para o Rio de
Janeiro e a exigência de retorno do príncipe regente para Portugal.
O rompimento ficou cada vez mais evidente com
algumas medidas aprovadas no Brasil. Em maio de 1822, foi decretado o
“Cumpra-se”, medida que determinava que as leis e as ordens decretadas em
Portugal só teriam validade no Brasil com o aval do príncipe regente. No mês
seguinte, em junho, foi determinada a convocação de eleição para a formação de uma Assembleia Constituinte no
Brasil.
Se por um lado algum progresso fora feito pela
Corte Portuguesa, o Brasil colônia, por conta do seu povo estava insatisfeito
com as políticas autoritárias que oprimiam a população brasileira.
Essas medidas reforçavam a progressiva separação
entre Brasil e Portugal, uma vez que as ordens de Portugal já não teriam validade
aqui conforme determinava o “Cumpra-se” e, além disso, esboçava-se a elaboração
de uma nova Constituição para o país com a convocação de uma Constituinte.
Entre as
consequências do processo de independência do Brasil, podem ser mencionados:
·
Surgimento do
Brasil enquanto nação independente;
·
Construção da
nacionalidade “brasileira”;
·
Estabelecimento de
uma monarquia nas Américas (a única no continente junto da haitiana e
mexicana);
·
Endividamento do
Brasil por meio de um pagamento de 2 milhões de libras como indenização aos
portugueses.
A
partir de 1822 os Estados Unidos foram os primeiros a reconhecer a
independência brasileira em 1824. Essa postura decorre da Doutrina Monroe, lançada em 1823, contra a intervenções e colonização de potências da Europa no continente
americano, favorecendo suas ações sobre o resto do continente.
À semelhança do
processo de independência de outros países latino-americanos, o de
independência do Brasil preservou o status quo das elites agroexportadoras, que
conservaram e ampliaram os seus privilégios políticos, econômicos e sociais.
O processo de independência foi
perpassado por estagnação econômica, especialmente das exportações. Além disso,
ao contrário da América espanhola, onde a independência se fez através de confrontos
militares, a soberania política do Brasil resultou de um complexo encadeamento
de negociações, envolvendo Portugal e Inglaterra. Pedro I precisava obter o
reconhecimento da Inglaterra e de outros países, inclusive de Portugal. Para
isso, o Brasil obteve, de 1824 em diante, vários empréstimos de Londres, cada um no valor de milhões de libras. Essa crise só
resolver-se-ia com a ascensão do café.
O período do Brasil Império teve início com o processo de Independência do Brasil (1821-1825) e terminou com a Proclamação da República (1889).
Portugal só reconheceu oficialmente a independência de sua
antiga colônia em 1825, após o pagamento, por parte do Brasil, de uma indenização
a Portugal, que, por sua vez, foi proveniente de recursos emprestados pela
Inglaterra.
Logo em seguida, o Brasil envolveu-se em um conflito internacional, a Guerra da Cisplatina (1825-1828),
na tentativa de evitar a anexação da Cisplatina, atual Uruguai, às Províncias
Unidas do Rio da Prata, atual Argentina. Nessa guerra, o Império acumulou uma
série de derrotas, além de contrair dívidas, minando ainda mais a popularidade
do imperador. Como resolução do conflito, ambas as partes concordaram em abrir
mão do território, reconhecendo, então, em 1828, a independência da República
Oriental do Uruguai.
Embora
não tenha completado uma década, o Período Regencial registrou
uma série de eventos
decisivos e momentos de tensão política. Segundo a Constituição
vigente de 1824, a maioridade para a ocupação do cargo de imperador era 21 anos
de idade. Como D. Pedro II tinha apenas 5 anos e 4 meses
de idade quando seu pai, Pedro I, voltou para Portugal, a Constituição de 1824
determinava que “Durante a sua menoridade, o Império seria governado por uma
Regência, a qual pertenceria ao parente mais chegado ao Imperador, segundo a
ordem de sucessão, e que fosse maior de vinte e cinco anos”.
Assim,
até D. Pedro II alcançar a maioridade para assumir o cargo, houve quatro regências, a saber:
·
Trina Provisória (1831);
·
Trina Permanente (1831-1835);
·
Una de Feijó (1835-1837);
·
Una de Araújo Lima (1837-1840).
Durante a regência, dois partidos políticos centralizaram as
discussões: o Partido
Liberal, fundado em 1831, e o Partido Conservador, fundado em 1836. Ambos os partidos alternaram-se no poder durante a regência,
ditando seus interesses.
O Brasil
começou a se modernizar, havendo a construção de estradas de ferro,
a introdução dos telégrafos e de aparelhos telefônicos, o que, inclusive, deu
certo protagonismo mundial ao Brasil. Foi também o momento em que o Brasil
começou a se industrializar,
tendo como figura central o Barão de Mauá (1813-1889).
Contudo, não tardaram também de
surgir momentos de crise e
instabilidades profundas, que, ao final do século, provocaram o fim
do Período Imperial, com a Proclamação da República,
em 15 de novembro de 1989.
Novamente sob pressão da Inglaterra, o Brasil
promulgou, em 1850, a Lei
Eusébio de Queirós, proibindo novamente a importação de escravos
africanos e passava, dessa vez, a criminalizar quem infringisse a lei. A
campanha abolicionista, que se estendeu por um longo período até chegar
realmente à abolição (em 1888), gerou descontentamento nas elites econômicas,
que se sustentavam por meio do trabalho escravo.
Após o término da guerra em 1870, os
familiares dos militares mortos ou mutilados deveriam receber assistência
custeada pelo Império. Contudo, ainda em 1883, esse direito não havia sido
pago. Isso ocasionou uma série de embates
entre o Exército e a monarquia.
O desfecho desse imbróglio ocorreu
com militares influentes aderindo à campanha republicana, representada por
nomes civis de prestígio, como Benjamin Constant, Rui Barbosa, Quintino
Bocaiuva, entre outros. Assim, em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da
Fonseca depôs a monarquia e proclamou a república no Brasil, colocando fim ao período imperial.
Após o fim da monarquia e a proclamação da república em 15 de
novembro de 1889 através de um movimento militar, sobe ao poder o Marechal
Deodoro da Fonseca. Iniciando assim, a primeira fase da Primeira República ou
República Velha, conhecida como a República da Espada (1889-1894).
Nesse período o Brasil enfrentou uma forte disputa
pelo poder entre militares e os latifundiários, sobretudo cafeicultores.
Governo Provisório
(1889-1891)
industrialização e a produção agrícola através
do aumento da emissão do papel-moeda e facilitou o estabelecimento de
sociedades anônimas.
Após a aprovação da Constituição de 1891, Deodoro da Fonseca
foi eleito pela Assembleia, o que revelou os choques entre os republicanos
positivistas (que defendiam a ideia de golpe militar, para garantir o
"continuísmo"), e os republicanos liberais.
Por fim, Deodoro da Fonseca foi acusado de corrupção e o
Congresso votou o projeto da Lei das Responsabilidades, tornando possível o”
impeachment” de Deodoro. Este, por sua vez, vetou o projeto, fechou o Congresso
Nacional, prendeu líderes da oposição e decretou “estado de sítio”.
A reação ao autoritarismo de Deodoro foi imediata e
inesperada na capital da República. Uma greve de trabalhadores, contrários ao
golpe, em 22 de novembro de 1891 no Rio de Janeiro, e o levante da Marinha no
dia seguinte liderada pelo almirante Custódio de Melo, no qual os navios
atracados na Baía da Guanabara apontaram os canhões para a cidade, ameaçando
bombardeá-la, caso não houvesse a reabertura do Congresso. Para evitar uma
guerra civil, Deodoro da Fonseca renunciou à Presidência, sendo substituído
pelo seu vice-presidente, Floriano Peixoto.
Para refletir, há alguns acontecimentos parecidos do nosso
contexto atual político e o de Deodoro da Fonseca na República Velha? Isso
demonstra a importância do conhecimento da História para impedir que erros
passados aconteçam no presente e que possamos construir um futuro melhor para
nosso país.
O rompimento do acordo entre São
Paulo e Minas Gerais para as eleições presidenciais
de 1930 quebrou a aliança que sustentava a República Velha (1889/1930). Em
1929, o presidente Washington Luís indicou outro paulista, Júlio Prestes, para
sucedê-lo. O presidente do Estado de Minas Gerais, Antonio Carlos, sentindo-se
traído, buscou o apoio dos governantes do Rio Grande do Sul e da Paraíba e
formaram a Aliança Liberal, com Getúlio (RS) e João Pessoa (PB) à frente.
Iniciava-se uma das mais acirradas disputas eleitorais daquele período.
A constituição de 1934 marcou o
início do processo de democratização do país, dando sequência às reivindicações
revolucionárias. Ela trouxe avanços significativos como o princípio da
alternância no poder, a garantia do voto universal e secreto, agora estendido
às mulheres, a pluralidade sindical e o direito à livre expressão.
Desde fins de 1935, havia um clima de
efervescência no país. De um lado, acirravam-se as disputas eleitorais e, de
outro, multiplicavam-se as greves e as investidas oposicionistas da ANL -
Aliança Nacional Libertadora contra o governo Vargas. A ANL foi fundada por
tenentes dissidentes da Revolução de 30, que defendiam a reforma agrária e
combatiam as doutrinas nazifascistas.
A conjuntura mundial estava sob forte
influência do nazifascismo representado por Hitler na Alemanha e Mussolini na
Itália. Era uma época marcada por forte sentimento nacionalista e pela
centralização do poder estatal. Os ventos fascistas se faziam sentir no Brasil,
através da Ação Integralista Brasileira (AIB), organização fascista liderada
por Plínio Salgado, cujas ideias conservadoras eram resumidas no lema
"Deus, Pátria e Família”.
A atmosfera externa aliou-se a uma
situação interna bastante instável após a revolução de 30, em que as forças
revolucionárias haviam se dividido e agora disputavam o poder. A expansão dos
grupos comunistas no Brasil, fortalecidos pela consolidação do regime
soviético, causava um temor generalizado.
A Segunda Guerra Mundial, deflagrada
em 1939, pôs em disputa a doutrina fascista e nazista contra a doutrina da
liberal-democracia. Apesar da simpatia de Vargas pela Alemanha e pela Itália,
as circunstâncias da guerra, com a entrada dos Estados Unidos no conflito,
levaram o Brasil a combater ao lado dos Aliados. Com a derrota de Hitler em
1945, o mundo foi tomado pelas ideias democráticas e o regime autoritário
brasileiro já não podia se manter.
Getúlio Vargas foi deposto pelos
militares em 29 de outubro de 1945, sob o comando de Góes Monteiro, um dos
homens diretamente envolvidos no golpe de 1937. A abertura democrática levou ao
poder o general Eurico Gaspar Dutra, como presidente eleito pelo voto popular,
dando fim a um dos períodos mais autoritários e violentos da nossa história.
A Quarta
República Brasileira foi o período da história do Brasil
que se iniciou em 1945, com o fim da Era Vargas, e que foi
finalizado em 1964, com o Golpe
Civil-Militar que deu início ao período da Revolução Democrática de 1964.
De 1986,
quando o poder militar passa para o governo civil, até 2018 nas eleições que
culminaram com a eleição do atual Presidente Jair Messias Bolsonaro, o Brasil
esteve sobre a opressão de políticas corruptas e diversos escândalos dos
Governos Lula e Dilma Roussef acirraram as opiniões do povo brasileiro a ponto
de elevar ao Poder numa surpreendente campanha “pobre e sem recursos” contando
apenas com as manifestações das redes sociais, o atual Presidente Jair Messias Bolsonaro,
que nestes tempos de celebração dos duzentos anos da nossa Independência, pode
mostrar a força de um governo que foi guindado a governar para e pelo povo.
Esses duzentos
anos não foram em vão, mas, este grandioso país chamado BRASIL, tem na sua
história o estoicismo de suas lutas pela sua grandeza e autonomia de seu
território. “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”! A
pergunta que não quer calar!
Jose Alfredo
Evangelista - jornalista
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