sábado, 15 de outubro de 2016

O MEDONHO

Zé Preto era tão feio que chegava a ser “medonho”. Suas feições lembravam um pouco do Saci, Boitatá e lobisomem ao mesmo tempo! Seus dentes quando abria a boca parecia um sedento vampiro. Tinha os olhos vermelhos e inflamados que mais lembrava um zumbi saindo do túmulo!
Zé Preto, além de tudo era taciturno, desconfiado e vivia amoitado, parecendo querer dar o “bote” em alguém!
Na vila onde morava ninguém passava por perto e se benziam quando o viam. “O MEDONHO” como era chamado era o avesso do avesso da feiura... Assustava e espantava até quebrante... À noite era terrível aos moradores do local que evitavam encontrar com aquela coisa terrivelmente medonha... O MEDONHO era tão estranho e feio que, se ele olhasse para o espelho ele se partiria de medo!
Um dia de noite limpa e lua cheia, Zé Preto saiu à rua, como era seu hábito, talvez por vergonha da sua feiura não quisesse ser visto... Ao virar uma esquina, foi surpreendido por uma grande revoada de “corujas” que se aninhavam no beiral de um telhado e sumiram na escuridão...
Mas um fato medonho aconteceu quando um cortejo fúnebre se dirigia ao cemitério para o sepultamento do morto. Quando o caixão chegou à beira da cova, foi aberto para que a família e os amigos do falecido se despedissem...
Zé Preto, que soube do sepultamento, pois morava perto do cemitério, viu a cena e sentiu curiosidade em saber quem estava sendo enterrado... Criou coragem e saiu a poucos metros de sua casa para olhar o cadáver...
Assim que entrou no cemitério e se aproximou do caixão, houve uma debandada geral... Todos gritaram de espanto e abandonaram o caixão ali às portas do sepulcro.
Zé – O MEDONHO, não ligou, pois já estava acostumado, e se aproximou de mansinho para ver o rosto do morto.
Quando abaixou a cabeça para ver e reconhecer o cadáver, eis que o morto abriu os olhos de espanto, deu um salto dentro da urna mortuária, pulou fora e saiu gritando e dizendo: -“NÃO, NÃO, SENHOR DIABO... EU QUERO IR PRO CÉU... AI...AI... NÃO ME LEVE  PRO INFERNO...EU NÃO MEREÇO!
E a partir desse fato medonho, o cemitério foi fechado e interditado. Toda a vila passou a chama-lo de: “INFERNO É A CASA DO ZÉ MEDONHO”!
E o coitado e rejeitado Zé Preto, de tão medonho, quando morreu tempos depois, teve o seu encontro pessoal com o DEMÔNIO que lhe disse: -“NÃO QUERO VOCÊ AQUI ME FAZENDO CONCORRÊNCIA”.  E o expulsou do inferno.
A alma do MEDONHO ZÉ PRETO, até hoje vagueia procurando um lugar para seu eterno descanso, mas, quando descobriu o caminho para o céu, se encontrou com São Pedro, que lhe disse: -“AQUI VOCÊ NÃO PODE ENTRAR PORQUE VAI ASSUSTAR OS SANTOS! E o Zé Preto, hoje vive entre o céu e o inferno por conta da sua cara MEDONHA!


Jose Alfredo Evangelista

Nenhum comentário:

Postar um comentário