O
MEDONHO
Zé
Preto era tão feio que chegava a ser “medonho”. Suas feições lembravam um pouco
do Saci, Boitatá e lobisomem ao mesmo tempo! Seus dentes quando abria a boca
parecia um sedento vampiro. Tinha os olhos vermelhos e inflamados que mais
lembrava um zumbi saindo do túmulo!
Zé
Preto, além de tudo era taciturno, desconfiado e vivia amoitado, parecendo
querer dar o “bote” em alguém!
Na
vila onde morava ninguém passava por perto e se benziam quando o viam. “O
MEDONHO” como era chamado era o avesso do avesso da feiura... Assustava e
espantava até quebrante... À noite era terrível aos moradores do local que
evitavam encontrar com aquela coisa terrivelmente medonha... O MEDONHO era tão
estranho e feio que, se ele olhasse para o espelho ele se partiria de medo!
Um
dia de noite limpa e lua cheia, Zé Preto saiu à rua, como era seu hábito,
talvez por vergonha da sua feiura não quisesse ser visto... Ao virar uma
esquina, foi surpreendido por uma grande revoada de “corujas” que se aninhavam
no beiral de um telhado e sumiram na escuridão...
Mas
um fato medonho aconteceu quando um cortejo fúnebre se dirigia ao cemitério
para o sepultamento do morto. Quando o caixão chegou à beira da cova, foi
aberto para que a família e os amigos do falecido se despedissem...
Zé
Preto, que soube do sepultamento, pois morava perto do cemitério, viu a cena e
sentiu curiosidade em saber quem estava sendo enterrado... Criou coragem e saiu
a poucos metros de sua casa para olhar o cadáver...
Assim
que entrou no cemitério e se aproximou do caixão, houve uma debandada geral...
Todos gritaram de espanto e abandonaram o caixão ali às portas do sepulcro.
Zé
– O MEDONHO, não ligou, pois já estava acostumado, e se aproximou de mansinho
para ver o rosto do morto.
Quando
abaixou a cabeça para ver e reconhecer o cadáver, eis que o morto abriu os
olhos de espanto, deu um salto dentro da urna mortuária, pulou fora e saiu
gritando e dizendo: -“NÃO, NÃO, SENHOR DIABO... EU QUERO IR PRO CÉU...
AI...AI... NÃO ME LEVE PRO INFERNO...EU
NÃO MEREÇO!
E
a partir desse fato medonho, o cemitério foi fechado e interditado. Toda a vila
passou a chama-lo de: “INFERNO É A CASA DO ZÉ MEDONHO”!
E
o coitado e rejeitado Zé Preto, de tão medonho, quando morreu tempos depois,
teve o seu encontro pessoal com o DEMÔNIO que lhe disse: -“NÃO QUERO VOCÊ AQUI
ME FAZENDO CONCORRÊNCIA”. E o expulsou
do inferno.
A
alma do MEDONHO ZÉ PRETO, até hoje vagueia procurando um lugar para seu eterno
descanso, mas, quando descobriu o caminho para o céu, se encontrou com São
Pedro, que lhe disse: -“AQUI VOCÊ NÃO PODE ENTRAR PORQUE VAI ASSUSTAR OS
SANTOS! E o Zé Preto, hoje vive entre o céu e o inferno por conta da sua cara
MEDONHA!
Jose
Alfredo Evangelista
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