O
MENDIGO
Ao
sair da Missa naquele domingo à noite, dirigi-me à minha casa que fica defronte
a uma bela praça toda ajardinada.
Quando
me preparava para entra com meu carro na garagem, fui abordado por um senhor,
mal vestido e trôpego que me pedia comida, pois estava com fome!
Ao
seu olhar eu fiquei extasiado! Era um olhar que me prendia e cativava... Havia
alguma coisa estranha naquele olhar penetrante e misterioso!
Disse-me
ele: -“O senhor pode dar-me alguma coisa para eu comer, estou com muita fome”.
Àquela voz eu fiquei paralisado e por instantes, não sabia o que fazer!
Então
ele voltou a falar-me: -“O que o senhor tiver está bom para mim”...
Acordei
daquela visão que me cativava e disse-lhe: -“Dê-me um instante que vou para
dentro para trazer alguma coisa para comer”!...
Retornei
com um prato feito e servi-lhe. O Mendigo sentou-se na calçada e começou a se
alimentar com muita fome. Eu deixei-lhe só, para que comesse em paz e sossegado
aquele prato de comida e disse-lhe: -“Quando o senhor terminar pode deixar aqui
no portão o seu prato e talheres, que eu venho recolher”. E ele com muita
educação disse-me: -“Deus lhe pague por esta refeição que há dias eu venho
tentando comer”.
Depois
de algum tempo eu retornei ao portão para apanhar o material deixado pelo
mendigo. Ao me aproximar, deparei-me com uma cena insólita e surpreendente. Vi
o prato e os talheres, “reluzentes com uma cor verde”... Os talheres estavam
como que formando um crucifixo sobre o prato de cabeça para baixo, como que
simbolizando um monte e ao lado um papel escrito: “Eu estive aqui te
visitando”!
Jose
Alfredo
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