VIDA
DE GADO
Vagueio
o olhar a observar
O
gado a pastar... Pessoas abstratas...
Corpos
de lata rangendo sem óleo...
Fumacentos
e sujos... São zumbis
Sem
comando... Apenas andando...
Sem
eira nem beira... Mudos e surdos!
São
as vítimas alienantes
De
uma era decadente...
Mugidos
jogados ao ar...
Latidos
rosnados...
Rostos
esmolados...
Amontoados
nos guetos,
Tossem
e escarram
Pedaços
de vida... Indevida!
Não
se falam... Só grunhidos...
Baforadas...
Tosses... Gemidos...
Vidas
sem posses;
Dias
vazios... Mares sem navios!
Entes
armados de pavios
A
explodir a qualquer momento
Na
existência do tormento!
Jose
Alfredo
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