sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

VIDA DE GADO

Vagueio o olhar a observar
O gado a pastar... Pessoas abstratas...
Corpos de lata rangendo sem óleo...
Fumacentos e sujos... São zumbis
Sem comando... Apenas andando...
Sem eira nem beira... Mudos e surdos!
São as vítimas alienantes
De uma era decadente...
Mugidos jogados ao ar...
Latidos rosnados...
Rostos esmolados...
Amontoados nos guetos,
Tossem e escarram
Pedaços de vida... Indevida!
Não se falam... Só grunhidos...
Baforadas... Tosses... Gemidos...
Vidas sem posses;
Dias vazios... Mares sem navios!
Entes armados de pavios
A explodir a qualquer momento
Na existência do tormento!


Jose Alfredo

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