sexta-feira, 18 de setembro de 2020

 

E, TUDO ENDOIDECEU!

 

Nestes momentos vivenciais sorvo das expectativas

De um viver inflamado por tantas novidades e incertezas

Quais veredas que não me levam a lugar nenhum!

Dias rotineiros macerados pelas mesmices de todos os dias!

Nas repetidas voltas dos ponteiros do relógio nada muda!

Pequenas mudas plantadas num jardim sem flores

Descoloridos e insípidos mostram um passado pesado...

Folhas que caem ao chão, secas, e, amareladas...

Transpassadas pelas dores de uma alma ressequida!

Atônito busco a compreensão da verdade... Mas a mentira

Sobrepõem-se à lógica do bem viver, e, do amar sem restrições!

E, sob condições, a vida me agride, e, me oprime!...

Vida bandida...  Reprimida... Vida de atalhos e vielas!

Não tenho janelas, que se abram, nem portas sem tramelas!

Dias cinzentos, sem o esplendor do sol,  

Nem a prata romântica de noite enluarada!

Divago o meu olhar sem norte, sem um aporte de amor!

No silêncio curto minha solidão sem eira nem beira,

Que me queira! Afago-me nas bebidas da sexta-feira...

Nos cafés com bobagens dos sábados...

Nos retiros sociais nas domingueiras trancado em casa!

Procuro compreender, de tudo isso, quais as causas?

Tristezas, impaciências, intolerâncias, irritações...

Fermentam nos frascos de uma alquimia inconsequente!

Posso sentir que estou no limiar da felicidade e da paz, que,

Estão logo ali, bem próximas de um limite intransponível!

Separam-me por uma fronteira inóspita!

Persigo a liturgia agnóstica do bem e da fé...

Sou ainda verde para o céu que é divinamente azul!

Minhas cores são de matizes negro e cinza...

O arco-íris ainda não anunciou minha bonança!

Sem esperança minha existência se lança

Às negras nuvens de violentas tempestades...

Sopram os ventos das veleidades

Desabam os trovões das maldades...

Meu coração sofre com a falta de perdão!

Minhas heranças não têm DNA, mas,

Estou implantado com os chips do mal...

Meu DNA se explica:

“De nada adiantou” o que a vida me ofereceu!

Meu caminho se escureceu, e, tudo se endoideceu!

 

Jose Alfredo

 

 

 

 

 

 

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