segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


SURREAL

Naves patrulham os ares
Holofotes agressivos circulam
Sirenes avisam os avatares
Corpos fugitivos tombam
E vão para o incinerador
Lufadas de gazes poluem a cidade
Ruas e becos úmidos e sujos
São guetos de ratos e serpentes
Na vida entrincheirada sem identidade!
Andantes e sem rumo zumbis
Circulantes à procura de comida
De paciência corroída apenas espreitam
As passadas pesadas dos monstros enlatados
À procura de perdidos nos labirintos
Que famintos comem ratos mortos
E matam a sede nas poças do chão molhado
Desfiguradas figuras alienadas... Obsoletas
Vivem errantes escondidas nas valetas
As patrulhas infestam ruelas
Prendem e matam sem deixar sequelas
Os mortos vivos sob implacável perseguição
Prisioneiros na sua própria liberdade
Fugitivos das garras de avatares imperadores
Levam a vida sob os horrores
Em cada esquina uma surpresa
Nas escuras vielas e guetos
Uma rajada de balas ensanguentam
Paredes, valas, escadas, portas...
Sibilam as sirenes... Holofotes
Buscam movimentos suspeitos
Os zumbis desfigurados espreitam-se
Pelos guetos fétidos... Quietos e calados
A sobrevivência é regra de sobrevida!
Pesadas passadas avisam a passagem
Das sentinelas de lata cheirando óleo
A cidade surreal dorme no silêncio
Dos holofotes... No ar o cheiro forte
De corpos incinerados...

Jose Alfredo




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