OPINIÃO DO COMANDANTE DO EXÉRCITO
BRASILEIRO: GENERAL VILAS BOAS
As instituições estão trabalhando e
buscando resolver essa crise, que está atingindo nosso cerne e relativizando
nossos valores.
Tenho afirmado que, além da crise
política, vivemos um momento em que faltam fundamentos éticos e no qual o
"politicamente correto", por vezes mal interpretado, prejudica nossa
evolução. Falta-nos uma identidade e um projeto estratégico de país. País com
letra maiúscula. Por isso, costumo dizer que estamos à deriva.
No entanto, considero essa crise uma
oportunidade, que poderá auxiliar a nação a se sanear, sem influências
ideológicas ou políticas.
A Lava Jato simboliza a esperança de
que se produza no país uma mudança fundamental, em que a ética seja nossa parceira
cotidiana e a sensação de impunidade, coisa do passado.
Todo cidadão tem o direito de ser
candidato a qualquer cargo eletivo. É natural que o deputado Jair Bolsonaro use
seu currículo e sua história pessoal, como ex-integrante do Exército, em sua
campanha. Como integrante da reserva, ele sempre terá o nosso reconhecimento e
o nosso respeito.
No entanto, e em última análise, é a
população quem vai julgar os partidos e os candidatos, por intermédio do voto,
devendo, para tanto, conhecer muito bem os projetos e ideias de cada um deles.
Destaco que o Exército, como
instituição permanente, serve ao Estado e não a pessoas, estando acima de
interesses partidários e de anseios pessoais.
Acho que a falta de um projeto
nacional tem impedido que a sociedade converja para objetivos comuns. Isso
inclui, até mesmo, a necessidade de referências claras de liderança política
que nos levem a bom porto.
Talvez seja um reflexo de os
brasileiros terem permitido, no passado, que a linha de confrontação da guerra
fria dividisse nossa sociedade.
É preciso que a crise que estamos
vivendo provoque uma mudança no debate político para 2018. É necessário
discutir questões que possibilitem preparar um projeto de nação, decidir que
país se quer ter e aonde se pretende chegar. Está difícil de identificar, no
Brasil de hoje, uma base de pensamento com capacidade de interpretar o mundo
atual, de elaborar diagnósticos estratégicos apropriados e de apontar direções
e metas para o futuro.
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